30 novembro 2012

De longe, pra mim


          Abri o armário a procura de uma roupa legal, uma roupa que talvez eu ainda não tivesse usado - não achei. Furiosa, peguei um vestido florido - cujos lugares que já o usei, lembrava de cor - e comecei a me maquear. Quando acabei a maquiagem, desenrolei a toalha que estava no meu cabelo e comecei a secá-lo. Ele já estava na cintura, nem tinha me dado conta de como ele tinha crescido. Fiquei feliz por alguns segundos, mas logo me lembrei que já estava atrasada. Saí de casa as pressas, pegando a chave e esquecendo a bolsa. Quando ia trancar a porta, lembrei da bolsa, voltei e refiz todo o caminho. O motivo do meu nervosismo era grande: você viria me ver aqui e chegaria no aeroporto às 10:00h.
               Como um complô, nenhum táxi parava ao meu chamado, não importava se eu estava na calçada ou no meio da rua, implorando pra que algum parasse. Até que doze minutos depois de frustradas tentativas, quando cinco táxis já haviam passado, o sexto parou. "Ao aeroporto, por favor!", eu disse, afobada.
               No caminho ao aeroporto, ficava olhando na janela, imaginando como seria te ver depois de dois anos. Dois longos anos. Acabou que nem reparei em como o dia estava ensolarado e perfeito. Perfeito pra nós dois, como se prevesse quão maravilhoso esse dia seria. Temperatura agradável, típico dia - lindo - de primavera. O taxímetro já apontava R$18,00 quando percebi que já estávamos perto de lá. Três minutos depois, eu já estava descendo do táxi e procurando a sala onde você desembarcaria e, olhando toda hora pro relógio. Quando olho me deparo com o ponteiro menor no 10 e o maior no 12. "Meu Deus! Já são dez horas...!"
                Perto de onde eu estava, havia várias pessoas com aquelas plaquinhas que a gente vê em filme, com um nome em cada plaquinha. Achei que não seria preciso. Sei que avistaria você mesmo em meio a essa multidão que agora desembarcava. As pessoas chegavam, entravam e se encontravam com outras. Abraços, beijos, risadas, mãos dadas, sorrisos e lágrimas. Muitas lágrimas. Muitas pessoas. Mas e você? O número de pessoas que chegavam estava diminuindo, já comecei a ficar preocupada. Será que era nesse voo que você chegaria, ou me precipitei? Será que você já chegou num voo mais cedo? Ou então talvez tenha atrasado o voo... - mil hipóteses, mas nenhuma me trouxe segurança. Até que te avistei.
                Você estava todo engasalhado, sugeri que no Rio estivesse fazendo frio, por isso você estava assim. Você ainda não tinha me visto. Tirou o casaco na tentativa de abafar o calor, já que Manaus não é um lugar fresco digamos assim, e o aeroporto que devia ter algum tipo de ventilação extra, já que a cidade é quente, não o tinha e então não favorecia em nada. Você lançava olhares para todos os lados, a minha procura. Parecia um bebê procurando perdido pela mãe. "Que metáfora nada a ver!", pensei, sorrindo feito boba, por ter reparado que você já tinha me encontrado, e seu olhar estava sobre mim.
                 Foi então que corri ao seu encontro. Você permaneceu imóvel e sorrindo. Podia ver seus olhos brilhando e creio que os meus estavam num brilho ofuscante. Não pude descrever a sensação que tive ao te ver. Em um abraço nos encontramos e dizemos coisas que talvez nunca tínhamos dito um ao outro. Entre soluços, choros, e saudades, seu abraço era a maior forma de consolo depois de tanto tempo em prantos pelo vazio que sua ausência me causava.
                - Você ainda continua linda! Você está radiante! - Ele disse, com lágrimas no olhar. Eu não conseguia mais dizer nada, só sabia te apreciar e me deliciar com o que o destino tinha me trago depois de dois anos. Dois anos. Tem noção disso? Nesses dois anos passamos por situações que nunca tinhamos passado antes, tais como brigas, desentendimentos, ciúmes excessivos e... principalmente... Ela: A bendita saudade.  Essa aí nunca me deixava.
                - Desculpa não conseguir dizer nada, simplesmente não consigo. - Me desculpei sem jeito, e ainda sorrindo feito uma menina quando recebe seu presente de natal após várias cartas mandadas ao "papai noel". Seu cheiro ainda continuava o mesmo, e o seu sorriso estava maior. Estava mais feliz. Você estava mais feliz. Conseguia ver a felicidade estampada no seu olhar e isso me trouxe um alívio surpreendente.
                 Confesso que nesse tempo que passamos separados, tive dúvidas em relação a nós dois, se continuaríamos juntos, se nossa relação devia ou não continuar, ou se voltaríamos a um dia nos encontrar. Te ver chorando - um choro de felicidade - foi a resposta mais doce que eu podia receber: é claro que sim. Pro amor, há sempre um sim. Ele é sempre bem-vindo. Você foi a resposta de todas as minhas orações e, mais uma vez, sou grata por você existir. A certeza de que a história de nossas vidas ainda não se encontra no fim, me traz paz e é essa paz que vou levar durante todos os dias que estivermos juntos. Bem juntinhos assim, eu e você. Eu te amo.

2 comentários:

  1. Adorei o seu blog, e esse seu texto então está maravilhoso. E o pior que eu também estava na mesma situação que a sua. Me identifiquei com a situação.
    Você escreve muito bem, parabéns.

    Até mais.

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    Respostas
    1. Ahhh, muito obrigada, Franciele *-*
      Que bom que gostou, um bom domingo! <3

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