21 novembro 2012
Encontro inesperado
Estava voltando pra casa depois de um dia de faculdade cansativo e aparentemente igual a todos os dias quando te encontrei. No começo achei que você fosse um anjo. Sério, sem clichê. A simetria do seu rosto era perfeita, seus olhos tinham a cor da minha camisa -- verde-azul como o mar --, sua calça era jeans e meio surrada, mas não dava pra ficar notando a qualidade dela quando se tinha algo com muito mais valor e belo pra olhar. Por que tão perfeito? Por cinco segundos ou mais te desejei ardentemente. Desejei que você parasse ali e perguntasse meu nome, talvez. Ou até mesmo pedisse meu número. Quem sabe você pudesse me dar um beijo daqueles que a gente só vê em filme mesmo... Eram tantas opções de desejo. Desejos de mentiras. No fundo, eu sabia que isso não ia acontecer. Afinal, eu sou só uma nerd com óculos rachados e cabelo despenteado.
Mas assim como um bebê com fome quando vê a mãe, chora, a fim de que ela o alimente, posso ser ignorada ou posso ser correspondida. Então, tive uma ideia um pouco fora do contexto mas muito parecida com essas que a gente vê por aí nos filmes de Hollywood. Fingi um tropeço e derrubei todos os livros. Você abriu os olhos, como se tivesse tomado um susto -- creio que foi realmente um susto, porque "caí" de um modo bizarro -- mas deu um leve sorriso que me fez ficar de boca aberta olhando pra você sem nem mesmo me preocupar com meus livros jogados no chão.
-- Você está bem? Deixa que eu te ajudo... -- Você disse do modo mais lindo que alguém pudesse dizer. Quando menos percebi você já tinha agrupado todos os livros e me ajudado a levantar. Parecia que tinha passado um segundo desde o momento em que você sorriu, mas, ao olhar pros seus braços e ver meus livros todos em ordem creio que passou mais ou menos quinze. -- Onde você tropeçou? Tome cuidado da próxima vez. -- Próxima vez? Ai meu Deus. Como assim, próxima vez? Quer dizer que nos veremos outra vez? Que aviso mais lindo. Soou pra mim mais ou menos assim: "Cuidado da próxima vez que me ver. Não vai querer ver seus livros no chão outra vez.".
-- Muito obrigada, deve ter sido uma pedra. -- Nesse momento eu ainda estava fascinada pelo seu sorriso. Não é que ele não parava de sorrir? Parecia que estava sendo fotografado a cada segundo e não podia deixar de mostrar esse sorriso deslumbrante.
-- Sério? Eu não vi nada. -- Disse, sem jeito. -- Na verdade, sem jeito fiquei eu quando olhei pra trás e vi que realmente não tinha nenhuma pedra ali. Mas quem liga? Pelo menos eu estava falando com você, um anjo que apareceu na rua pra mim numa volta de faculdade pra me tirar do monotonismo diário. -- Bom, eu tenho que ir agora. Bom dia pra você...-- Disse ele, ainda sorrindo, se afastando um pouco mais a cada palavra dita. Se eu tivesse um espelho comigo agora mesmo, ou se estivessem me filmando por acaso, a expressão do meu rosto seria como aquele símbolo do teatro. Um rosto alegre, pro rosto triste. Num piscar de olhos. Mas, pensando bem, era isso mesmo que eu estava sendo. Uma atriz. Consegui interpretar bem, até.
Tolice mesmo foi pensar que ele pudesse vir falar comigo, ou ao menos olhar pra mim se eu não tivesse feito todo esse papel de menina-desengonçada-que-tropeçou-no-vento. Mas valeu a pena, até. De relance vi você caminhando como se desfilasse em uma passarela. Como se arrancasse, sem querer, sorrisos da platéia só no seu fabuloso modo de andar. Daria tudo pra você poder voltar. Por que não aproveitei um pouco mais desses 2 minutos que tive desde que te avistei? Por que você passou assim, tão depressa? Se anjos existem, creio que eles existam para o bem. E foi isso mesmo que você me fez. Bem, muito bem por sinal. Meu anjo querubim, espero que um dia venhamos a nos encontrar de novo. Juro que tropeçaria outras mil vezes de propósito se isso fizesse você voltar a falar comigo; se eu pudesse avistar outra vez, seu sorriso. Seu lindo sorriso. Mas, mesmo que por pouco tempo, obrigada pela felicidade que me causou. Que o futuro ou o destino nos una outra vez. Quem sabe se eu cair dando um mortal, na próxima você pergunte o meu nome?
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