22 novembro 2012

Se tudo me faz lembrar você

            Era meia-noite... Um novo dia a partir daí estava começando. O nosso dia. Faríamos mais um aniversário de namoro e eu tinha uma imensa vontade de te ligar e dizer o quanto eu estava com saudade. O quanto eu queria, mais que tudo, ir até aí e te dar um abraço e dizer o quanto esperei por dias assim. Dias em que eram feitos apenas pra nós dois. Faríamos, queria, esperei, eram... Passado. Mas meu coração ainda não se deu conta disso. Pra mim, ainda comemoraremos todo mês o fato de termos nos conhecido, de termos nos apaixonado, de termos assumido uma relação. De termos começado a viver paralelamente, um ao outro. De como é bom estar com você. Você também sente isso, querido? Sente a falta que eu te faço? Sente a saudade que todo dia, esse mesmo dia, te dá a cada mês?
            Parei de ficar imaginando, porque lembrei que quando a gente imagina muitas coisas, a gente acaba fazendo alguma besteira. Fui até a minha prateleira de livros e apanhei aquele livro que você me deu no nosso quarto mês de namoro. Foi o presente mais lindo que você me deu. O livro tinha uma história parecida com a nossa e todas as vezes que eu li - todas as 1000 vezes -, ao invés de ler o nome dos personagens, lia os nossos. Era automático até. Ao abrir o livro, na página 10, havia uma carta sua. A carta que me fazia sorrir todas as noites, manhãs, e tardes. Todos os momentos. Porque, como o livro, também a reli milhares de vezes, só pra imaginar o seu rosto ao escrevê-la; suas expressões a cada frase, suas mãos, seu garrancho... Você. O que foi escrito para vir como acompanhante do presente principal, para mim, acabou se tornando o próprio presente.
            "Andei pensando em vários jeitos pra demonstrar pra você o quanto te aprecio e, sinceramente, todos me pareceram tão poucos... Pensei dos jeitos mais bregas até aos mais requintados. Mas todos eles me pareceram tão fúteis quando, ao meu lado, havia uma foto sua. Percebi então que o que eu tinha pra te oferecer nunca seria o bastante comparado a você, Ann, então resolvi escrever essa carta. Só pra te avisar, mesmo. Sei que você gosta de ler romances então junto a ela vem esse livro. Espero que goste. Pesquisei na internet a resenha dele e achei muito parecido com a nossa história. Que ao ler, você se lembre de como eu amo você e de como eu quero ver você feliz. Sempre. Afinal, é essa minha função aqui, minha linda. Te fazer feliz por toda a eternidade. Infinitas aniversários de namoro para nós.

Com amor, M."
           
           Pra você que não é muito de escrever, cada palavra soou como música aos meus ouvidos e a cada vez que leio me sinto a pessoa mais feliz do mundo. Mas, sabe, não é a mesma coisa desde que não estamos mais juntos. Desde que o "We24ever" deixou de existir. Já estou eu pensando de novo. Fechei o livro na esperança de que aqueles pensamentos não viessem mais a tona. De tirar você da minha memória de vez, e de parar de pensar em você com mais intensidade todo mês nesse exato dia. De viver em paz, de viver feliz, de arranjar um novo amor e seguir adiante. Afinal, não é isso o que as pessoas fazem? Talvez tenha sido isso mesmo que você tenha feito. Quem sabe.
           Pensamentos vão e vem e quando me dou conta já é 00:50h e começo a ficar sonolenta. Deito na cama na tentativa de dormir em paz e acordar melhor. Afinal, viver sua vida baseando-se no seu passado não é muito aconselhável. Você se encontra preso. Mas não pela pessoa. E sim, pelo seu próprio eu, que tenta te enganar dizendo que você ainda o pertence, que ainda há esperanças. Então, oro a Deus para que você não invada também meu subconsciente ao dormir, já não basta aturar suas recordações acordada. Chega!


Uma boa noite, amor. Sei que você costuma dormir nesse horár... Droga.

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