Lembrava de como a havia tratado com desprezo; de como não a tinha tratado do jeito que ela merecia. De quando ela acordava de manhã, tão linda, e ele não se dava o respeito de dizer um "Você é incrível", mesmo querendo. Ela se foi... Sem saber disso. Como é horrível a dor do arrependimento. O que fazer em momentos como esse? A única coisa que ele pensava era: Por quê? Não se perguntando o por quê dela ter ido, mas o por quê dele ser assim, tão frio. Não ter demonstrado seus sentimentos quando eles vinham à tona; não ter dado o abraço ideal quando ela precisava; não ter dito o quanto ela era importante, e não ter demonstrado o carinho que, sim, sentia por ela. Por que fora tão neutro? Por que fora tão meio-termo, e nunca tão intenso ou tão vazio? Será que era por medo de que ela se sentisse presa a ele, sabendo que ele não a merecia pela perfeição que ela exalava? Se ao menos não demonstrasse nada, ela pudera ao menos ser livre...
Dor. Angústia. Era o que o devorava de dentro pra fora. Fazendo com que ao redor dele houvesse uma poça, só de lágrimas.
-- Eu faria de tudo pra te ter aqui, Marie. Me perdoe, por favor. -- Ele sussurrava, entre soluços, desejando acima de tudo que ela o escutasse.
Eram 8h da manhã. No outro lado da cidade, acordava resplandescente, tomava seu banho e, logo após, seu café. Saía pra passear às 9h com seu cachorro Dougie. O adorava mais que tudo. Para ela, seu único companheiro. Ao chegar em casa, rotineiramente, apanhava seu punhado de folhas coloridas que tinha nas gavetas do rac da sala e punha-se a escrever.
"Por que desperdiçar lágrimas quando quem as merece não está aqui para vê-las?" Parou aí. Pensou um pouco sobre ele, sobre como era seu jeito. Pôs-se a chorar. Não era forte o bastante pra pôr em prática o que havia escrito? Ser tão forte assim não era bem dela.
-- Por que? -- Ela se perguntava. -- Por que teve que ser assim? Sou tão escapável? Sou tão substituível ou indiferente pra você? -- Não sabia mais onde pôr a dor que havia em seu peito. Tentava mostrar para o mundo que estava feliz sem ele, que sabia que ele não valia nem 1/5 das lágrimas que ela derramava. Mas mesmo assim, o amava. O desejava. Ela sabia que, se ele viesse pedir perdão a ela e se pusesse a chorar, ela choraria junto e com certeza o perdoaria. Mas sabia que ele não era assim. Sabia que era orgulhoso o bastante para nem ligar pro seu celular. Ou então mandar cartas. Cartas. Era isso, todo manhã. O que ela tinha vontade de dizer, mas não sabia como. O que ela tinha que pôr pra fora, mas não tinha para quem dizer, não tinha para quem contar, desabafar... Sua vida se resumia a isso. Mas para quê ao certo? Se eram tudo mentiras; frases clichês com a finalidade de mantê-la forte. Forte? Era tudo menos isso. Ela exalava solidão, tristeza e fraqueza. Seu ponto fraco: Fellipe. E todo dia, toda tarde, toda noite... Os dois se desejavam mais que tudo. Fellipe tomando coragem para pedir perdão, para ir até ela e dizer o quanto ele está arrependido, o quanto ele era um tolo por tê-la deixado ir. E, Marie, a doce Marie... Só queria um abraço daquele de quem ela jurou passar o resto da vida ao lado. Um aconchego, um "me perdoa meu bem, eu te amo".
"Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração" - Epitáfio, Titãs

Que texto mais fofo, Mary. Imagino que possa ser o que você está passando ou passou, e é linda a maneira como você transcreve isso para o blog. Escrever sobre nós nem sempre é tão fácil quanto parece. Lindo!
ResponderExcluirBeijos,
Will